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Tema: ECONOMIA E VIDA
Lema: “Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6,24)


ORAÇÃO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2010

“Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” Mt 6,24c

Ó Deus criador, do qual tudo nos vem, nós te louvamos pela beleza e perfeição de tudo que existe como dádiva gratuita para a vida.

Nesta Campanha da Fraternidade Ecumênica, acolhemos a graça da unidade e da conivência fraterna, aprendendo a ser fiéis ao Evangelho. Ilumina, ó Deus, nossas mentes para compreender que a boa nova que vem de ti é amor, compromisso e partilha entre todos nós, teus filhos e filhas.

Reconhecemos nossos pecados de omissão diante das injustiças que causam exclusão social e miséria. Pedimos por todas as pessoas que trabalham na promoção do bem comum e na condução de uma economia a serviço da vida.

Guiados pelo teu Espírito, queremos viver o serviço e a comunhão, promovendo uma economia fraterna e solidária, para que a nossa sociedade acolha a vinda do teu reino.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

 
  Para mais informações, acesse o site do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).  
     
 

01. O que é a Campanha da Fraternidade (CF)?
É uma proposta para fazer da Quaresma um tempo de autêntica conversão a partir da oração, do jejum e da esmola (misericórdia), iluminando-a com um tema atual a ser aprofundado e vivenciado a partir dos valores do Evangelho.

02. Quem organiza a CF?
É a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Neste ano de 2010 ela é, pela terceira vez, ecumênica, ou seja, é organizada e realizada pela CNBB e pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), composto pela Igreja Católica Apostólica Romana, pela Igreja Episcopal Anglicana no Brasil, pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, pela Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e pela Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia. Por isso a CF deste ano é designada de Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE).

03. Qual o tema e o lema da CFE 2010?
O tema é Economia e Vida, e o lema: "Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro" (Mt 6,24c).

04. Qual o objetivo geral da CFE 2010?
É "colaborar na construção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão" (CNBB).

05. Quais são os objetivos específicos da CFE 2010?
Os seguintes:
     (1) Sensibilizar a sociedade sobre a importância de valorizar todas as pessoas que a constituem;
     (2) Buscar a superação do consumismo, que faz com que o ter seja mais importante do que as pessoas;
     (3) Criar laços entre as pessoas de convivência mais próxima, em vista do conhecimento mútuo e da superação tanto do individualismo como das dificuldades pessoais;
     (4) Mostrar a relação entre fé e vida, a partir da prática da Justiça, como dimensão constitutiva do anúncio do Evangelho;
     (5) Reconhecer as responsabilidades individuais diante dos problemas decorrentes da vida econômica, em vista da própria conversão. Esses objetivos devem ser trabalhados em quatro níveis: Social, Comunitário, Eclesial e Pessoal.

06. Como a CFE 2010 pretende alcançar os objetivos geral e específicos?
Por meio das seguintes estratégias:
     (1) Denunciar a perversidade de todo modelo econômico que vise em primeiro lugar o lucro, sem se importar com a desigualdade, miséria, fome e morte;
     (2) Educar para a prática de uma economia de solidariedade, de cuidado com a criação e valorização da vida como bem mais precioso;
     (3) Conclamar as Igrejas, as religiões e toda a sociedade para ações sociais e política que levem à implantação de um modelo econômico de solidariedade e justiça para todos.

07. O que a economia tem a ver com a fraternidade?
Economia é a "a ciência que estuda os fenômenos relacionados com a obtenção e a utilização dos recursos materiais necessários ao bem estar" (Houaiss); Fraternidade é a "harmonia e a união entre aqueles que vivem em proximidade" (Idem). Assim sendo, economia e fraternidade têm tudo a ver, já que a economia sem a fraternidade leva à opressão e à exclusão, favorecendo alguns e prejudicando outros. Quanto mais economia e fraternidade andam juntas, tanto mais promovem a vida e levam à paz.

08. A economia, hoje, é fraterna?
Infelizmente, não! O mundo ainda se norteia pelo ditado: "Quem pode mais, chora menos". Convivem, lado a lado, o luxo e a fome, o desperdício e a miséria, o lucro e a marginalização, a sobra e a carência, a ostentação e a humilhação. A realidade não mente: a economia é manipulada por alguns, de tal forma que poucos têm demais e muitos não têm nem o suficiente para sobreviver. Um exemplo: um número absurdo de crianças morre todos os dias por desnutrição!

09. Que relação há entre economia e globalização?
Uma relação íntima e profunda. A globalização está derrubando, entre outras, as fronteiras geográficas, mas não as da desigualdade. A união deveria levar à fraternidade mas, ao invés, está conduzindo a uma economia predatória, onde os grandes estão sugando os pequenos, tornando ainda maior a injustiça.

10. A globalização é a única responsável pela injusta distribuição de renda?
Não. Ela está expandindo e fazendo crescer o que já existia nas nações. Em todos os países a economia favorece quem tem mais em prejuízo de quem tem menos. Quanto mais empobrecido é um país, tanto mais a economia favorece quem já tem e prejudica quem tem pouco ou nada.

11. A Igreja tem se manifestado a respeito da necessidade de uma economia fraterna?
Sim, de forma abundante. Dois exemplos: "A vida econômica abrange interesses diversos, muitas vezes opostos entre si. Assim se explica o surgimento dos conflitos que a caracterizam. Deve haver empenho no sentido de minimizar estes últimos pela negociação que respeite os direitos e os deveres de cada parceiro social: os responsáveis pelas empresas, os representantes dos assalariados, por exemplo, organizações sindicais e, eventualmente, os poderes públicos" (Catecismo da Igreja Católica, n.2430); "É preciso corrigir as suas disfunções (da globalização), tantas vezes graves, que introduzem novas divisões entre os povos e no interior dos mesmos, e fazer com que a redistribuição da riqueza não se verifique à custa de uma redistribuição da pobreza ou até com o seu agravamento, como uma má gestão da situação atual poderia fazer-nos temer" (Bento XVI, Caritas in veritate, n.42).

12. Quando a economia é fraterna?
Quando produz vida, e vida de qualidade, para todas as pessoas, sem exceção. É missão da Igreja anunciar o direito à vida e denunciar tudo o que a diminui ou destroi. Por isso ela quer que todas as pessoas, a começar pelos cristãos, façam da economia um serviço à vida e não um instrumento de morte.

13. Como a Igreja participa da construção de uma economia fraterna?
Ela enriquece com os valores do Evangelho a atividade econômica, apontando à humanidade que toda e qualquer solução passa obrigatoriamente pela prática da justiça, do direito e do amor. Afirma Bento XVI: "A Igreja não tem soluções técnicas para oferecer e não pretende 'de modo algum imiscuir-se na política dos Estados'; mas tem uma missão ao serviço da verdade para cumprir, em todo tempo e contingência, a favor de uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação (...) Para a Igreja, esta missão ao serviço da verdade é irrenunciável" (Bento XVI, Caritas in veritate, n.9).

14. Como nós, cristãos, podemos no dia a dia fazer da economia um caminho para a fraternidade?
Entre outras, podemos tomar as seguintes atitudes:
     1. Estudar o Texto-Base para aprofundar a CFE deste ano;
     2. Participar de eventos diocesanos, paroquiais e comunitários qUe tratem do assunto;
     3. Ler livros e documentos da Igreja que enfoquem o tema economia;
     4. Acompanhar a preparação e realização da CFE na paróquia;
     5. Descobrir grupos ou entidades que se reúnem para debater o assunto e participar deles;
     6. Praticar uma economia que exclua a injustiça e inclua a fratemidade;
     7. Ser justo no manuseio dos bens materiais;
     8. Usar os bens materiais e não deixar-se usar por eles;
     9. Desapegar-se de tudo o que impede a prática da partilha;
     10. Ser honesto, íntegro e verdadeiro no exercício da profissão;
     11. Preservar a natureza, especialmente o meio ambiente, o acesso à água e o direito à terra;
     12. Aprender a usar o dinheiro, sem fazer dele um deus;
     13. Fazer a experiência do dízimo, contribuindo com generosidade;
     14. Ensinar os filhos e filhas a utilizar o dinheiro com sabedoria;
     15. Combater o consumismo, vivendo a vida com simplicidade.

15. Concluindo
"Todo sistema segundo o qual as relações sociais seriam inteiramente determinadas pelos fatores econômicos é contrário à natureza da pessoa humana e de seus atos"(CA24). "Uma teoria que faz do lucro a regra exclusiva e o fim último da atividade econômica é moralmente inaceitável. O apetite desordenado pelo dinheiro não deixa de produzir seus efeitos perversos. Ele é uma das causas dos numerosos conflitos que perturbam a ordem social. Um sistema que sacrifica os direitos fundamentais das pessoas particulares e dos grupos à organização coletiva da produção é contrário à dignidade do homem. Toda prática que reduz as pessoas a não serem mais do que meros meios que têm em vista o lucro escraviza o homem, conduz à idolatria do dinheiro e contribui para difundir o ateísmo. 'Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro'" (Catecismo da Igreja Católica, n. 2424).

Padre Cristovam Iubel - Pão e Vinho Editora, 2009.

 
   
 
 
 
 
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